Não procurem em mim postulados,
nem teoremas;
apenas argumentos de incerteza
na honestidade que as palavras
podem contar.
Existir é estender o entendimento
ao sentir do outro, um ser que nos é alheio,
e ousar nisso, uma ponte.
Todas as pontes carecem de margens,
pontos de outra forma desunidos
em diferenças dolorosas, mas também gloriosas,
diferenças tão somente,
espraiando-se entre paisagens e vontades
que se amam, odeiam e completam.
São por tal, estas pontes tentadas,
um conceito sagrado,
Escrituras sem Deus tacteando cegamente
o relevo esquivo e impossível
daquilo que sonhamos ser a Verdade.
E no fim, depois de tocados os extremos,
aquieta-se a inefável angústia,
a suprema náusea,
que nasce só
na solidão que mora
em cada um de nós.
Sem comentários:
Enviar um comentário