Descem as palavras
sobre aquele vale profundo
onde, agrilhoados,
dialogam os motes
dos meus medos
e das minhas crenças.
Estou só
e a torrente sem sentido
acomete-se de contextos
e soma interpretações
sem vestígios de sentimento,
sem remorso possível,
ignorando a compaixão.
E nesse tumulto,
origem enevoada para uma revolta
e um sentimento de ser,
amontoam-se penosamente os átomos
que substanciam
o meu conceito de mundo;
e a partilha, dorida e frágil,
promete uma esperança
à distância de um arco-íris
alimentado em desejos,
perplexidades,
fúrias,
exaltações,
devaneios,
multidões...
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